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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Histórias de Vida


A história de vida dos meus avós

Em 1950, na cidade de Malange, em Angola nascia a minha avó. Angola sendo, na altura, uma colónia portuguesa recebeu a tropa portuguesa para defender o direito de posse dessa mesma terra. Destas tropas de Portugal fazia parte o meu avô que se integrava nesta força militar como comando. Eis que os meus avós conhecem-se e casam e tiveram dois filhos nascidos em Angola, um deles é o meu pai. A vida corria normalmente, numa altura em que o povo reivindicava os seus direitos tanto em Portugal (25 de Abril) como em Angola, onde começava uma guerra civil. Esta terra, até à altura, acolhia em harmonia, angolanos e portugueses.
Sob um clima de insegurança, violência e ameaças constantes, para os portugueses que lá viviam, os meus avós decidiram vir para os Açores e regressaram, assim, à sua terra de origem como refugiados. Sendo o meu avô açoriano, S. Miguel foi o destino escolhido para começar uma nova vida. Para a minha avó que, pela primeira vez se encontrava na terra de origem do meu avô, foi muito difícil a adaptação às pessoas, que tinham uma mentalidade muito fechada, própria dos meios pequenos. As infra-estruturas eram pouco desenvolvidas, as terminologias verbais eram diferentes e a curiosidade e o preconceito em relação a pessoas de origem africana (cor da pele) era visível. Uma das várias dificuldades de integração na região foi arranjar um emprego que fizesse justiça às habilitações da minha avó sem ter em conta a origem da mesma. Na opinião da minha avó, Angola tinha o direito de ser independente, mas não de forma abrupta como se passou, deveria, antes, tê-lo feito de forma gradual, passando primeiro por uma autonomia (como acontece nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira), e só depois alcançar a independência. Pois Angola é um país com recursos, capaz de suportar uma auto governação. Actualmente, a minha avó considera, que os Açores evoluíram bastante graças às novas gerações.
Trabalho elaborado por:
Leonardo Melo, 6ºF

O avô do Alexandre


Chamo-me Armindo Domingues de Sá, nasci a 26 de Novembro de 1949 no lugar de Paradela de Frades em Terras de Douro, Braga. Sendo o sexto de oito filhos de meus pais.
Cedo emigramos (tinha eu 5 anos) para Angola num dos maiores navios da altura, o Príncipe Perfeito.
O meu pai foi o responsável pelos cálculos de ferro para a grande barragem do Compão. A sua vontade era que eu seguisse a sua profissão, mas os meus interesses eram bem diferentes. Aos dez anos trabalhei numa oficina de mecânica chamada “João Bizarro, LDA”. E assim fui aprendendo a minha arte.
 Uns anos mais tarde os meus pais regressaram a Portugal tendo eu ficado com a minha irmã mais velha, por opção.
  Nesta linda terra que muitas saudades me deixou conheci a minha esposa que também tinha emigrado com os pais.
  Frequentei a tropa em Nova Lisboa, onde fui também instrutor de condução no SICA GAC 2. Nesta altura fazia 320 km para cada lado para ir ver a minha, na altura, namorada.
Nesse tempo vivi imensas aventuras, cheguei a ter um acidente de mota por ter adormecido.
Casei no dia 12 de maio de 1973 na igreja da Arrábida, no Lobito, e em Julho de 1974 nasceu a minha filha Márcia e lá foi baptizada na paróquia de Lírio. Trabalhei nos grandes estaleiros navais da SOREFAME.
Em 1975, para nossa grande tristeza, fomos obrigados a fugir do país em guerra, pois os assassinatos dos portugueses à catanada eram frequentes. Fomos para o aeroporto e embarcamos debaixo de fogo. Conseguimos regressar a Portugal porque tínhamos passagens marcadas para virmos de férias e foi o que nos valeu. Viemos com 120 escudos no bolso, pois o dinheiro angolano de nada valia. A minha esposa colocou um pouco de leite em pó e açúcar na mala e foi o que nos valeu para matar a fome à nossa filha.
Chegados a Portugal não tivemos qualquer apoio do estado e fomos para casa dos meus pais. A minha mãe chegou a dividir uma sardinha para cada duas pessoas, porque entre filhos, noras, genros e netos muitas bocas havia para alimentar e os recursos eram escassos.
Algum tempo mais tarde fomos viver para Ceia, terra da minha esposa, mas estando habituado ao clima quente de Angola, que muitas vezes me levava ir à meia-noite de bicicleta à praia do Restinga, não me dei bem com a neve da serra. Para além disso, o dinheiro faltava assim como o trabalho. Cheguei a ir carregar sacos de batata para ganhar algum dinheiro. Comecei depois, num pequeno espaço, a fazer gradeamentos e portões, com a ajuda da minha esposa. Cheguei a ir buscar material, tal como cantoneiras de ferro, com cerca de 4 metros de comprimento, que transportava às costas ao longo de 6 km.
Como a minha profissão tinha a ver com a reparação de navios, surgiu a oportunidade de vir para os Açores reparar um navio, oportunidade essa que “agarrei”, até porque, o clima é bem mais ameno. Previa-se que ficasse cá 7 meses. Ao fim de algum tempo as saudades da família apertavam e a minha esposa e filha vieram apara cá. O tempo foi passando e nós ficamos. Cá nasceu, em Outubro, o meu filho Paulo que agora tem 34 anos, longe por isso de ficarmos os 7 meses previstos. Os filhos cresceram e fizeram os seus estudos. A Márcia tirou um curso superior e o Paulo quis ficar pelo secundário. Graças a Deus, e apesar das agruras da vida, nunca lhes faltou nada. Ambos casaram e a Márcia deu-me dois netos. A nossa vida está toda aqui e não pensamos ir para outro lado. O único sítio que quero voltar, antes de morrer, é à minha terra Angola.
A minha vida continua ligada às reparações navais e à serralharia. No decorrer da minha atividade profissional muitos foram os acidentes, sendo o último o que mais me marcou. Em janeiro de 2005 caí de um andaime a 7 metros de altura, parti os dois calcanhares, estive numa cadeira de rodas 9 meses e as perspectivas não eram boas. Mas felizmente, apesar de muitas vezes desanimar, consegui ter força de vontade para voltar a andar.
Hoje ando sem ajuda e estou a trabalhar no que mais gosto, a mecânica.
Espero viver o suficiente para ensinar aos meus netos a minha arte. Quando gostamos do que fazemos podemos ser os melhores. Tenho orgulho no que faço!
O que quero ensinar aos meus filhos e netos é que há que ser honesto e trabalhador, porque sem trabalho nada se consegue, e apesar das partidas que a vida nos prega temos que erguer a cabeça, lutar e seguir em frente com toda a força.

Registo realizado por: Alexandre Sá Alberto, 5ºA

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Comemoração do 25 de Abril

Zeca Medeiros e Pilar Pacheco na EBI de Arrifes
Trabalhos de alunos das turmas A, B, D e F do 6º ano de escolaridade.


Liberdade

Estamos aqui
Graças à Liberdade
Vivendo nesse país
Com Verdade

Liberdade de expressão
De agir e criticar
Pensar e escrever
Andar e olhar

Liberdade finalmente
Liberdade, conseguimos
Juntem-se aqui todos
Não precisam de estar escondidos

25 de Abril de 1974
Meus amigos liberdade
Valeu a pena o nosso ato

A Revolução dos Cravos
Meu amigo, vamos festejar
Já não somos escravos
Liberdade  pra comemorar

Filipe Santos, 6ºB, nº8


Ó liberdade, porque tardaste a chegar?
Já não podia esperar!

Agora que chegaste
e por Portugal te espalhaste...
Quero celebrar!

É a melhor maneira de fazer
e em todas as armas que encontrar,
um cravo colocar
Para que em Portugal
não haja mais guerra
por causa de alguém igual a Salazar!

André Moniz, 6º B

sábado, 21 de abril de 2012

Os Açores durante o Estado Novo


  Trabalho da aluna Soraia Almeida, nº22, 6º B

Para realizar este trabalho entrevistei a minha tia.

Nome: Maria Evelina Duarte Almeida  
Idade: 48 anos.
Profissão: Neste momento trabalha numa cozinha de hotel, mas naquela altura era criança.

Eu: Quais eram as principais atividades naquela altura?
Resposta: Dedicávamo-nos à pesca, lavoura, indústria, conserveira, vendedores ambulantes de roupa e louça.

Eu: Como era a alimentação?
Resposta: Comíamos de tudo que a terra dava, peixe, sopa, a carne era só nos dias de festas ou famílias mais abastadas.

Eu: Como era o vestuário?
Resposta: Não usávamos braços de fora, eram blusas de meia manga, saias abaixo do joelho para as mulheres e para os homens calças.

Eu: Como era o calçado?
Resposta: Os trabalhadores do campo usavam botas de cano ou mesmo descalços e as mulheres usavam galochas e ou descalças.

Eu: Como eram as casas?
Resposta: Só as casas de famílias ricas tinha casa de banho, as outras tinham uma retrete, no quintal. Também nas casas o chão era de terra batida, as paredes de dentro de casa era de madeira.

Eu: E os divertimentos?
Resposta: Os homens jogavam às cartas, as mulheres bordavam, havia convívios: dançavam e cantavam desgarradas.

Eu: Como eram os brinquedos e as brincadeiras das crianças?
Resposta: Havia carroças de madeira com cavalos, carrinhos de costas, carros de esfera, para os rapazes, que eles mesmo faziam. As raparigas brincavam com bonecas, louças de barro, trapos que faziam de roupas para as bonecas. Também brincava-se às apanhadas, à corda, à macaca, à bola (queimado), que naquela altura era feita de pano.  
  
Trabalho da aluna Ana Rita Duarte, nº3, 6ºB

Para este trabalho entrevistei a minha avó

 Nome: Maria Do Natal Duarte
Idade: 46 anos
Profissão: doméstica
Principais atividades a que se dedicava: as mulheres dedicavam-se à vida de casa, como por exemplo a costura, algumas iam para a terra. Nas terras trabalhavam o feijão, o milho, a batata, era o essencial para levar para casa.
Alimentação: era à base de sopa, matavam-se os porcos em casa para o sustento da família durante o ano e também eram os alimentos colhidos da terra.
Vestuário: muitas roupas eram feitas em casa, as mulheres usavam saias compridas, os homens usavam calças em tecido. Quando as roupas ficavam rotas eram remendadas.
Calçado:  as mulheres usavam galochas e os homens botas, mas muitas das vezes ficavam descalços. O calçado dos irmãos mais velhos servia para os mais novos.
Casas: muitas delas em pedra, algumas com o chão em terra, com poucas divisões, não havia casa de banho, por isso no quintal havia uma retrete para fazerem as necessidades, destas fossas tiravam o estrume para a terra.
Divertimentos: divertiam-se mais quando havia as festas do Espírito Santo, rezavam o terço, dançavam e brincavam.
Brinquedos: as meninas tinham bonecas feitas de trapos e louças de barro, os meninos tinham carros feitos de madeira, outros com rodas de milho.
Brincadeiras: jogavam à macaca, às apanhadas, às escondidas, aos berlindes e ao pião. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Reportagem "O Regicídio"


Boa tarde, eu sou a Joana Sousa e estou, aqui, diretamente do local do crime, no Terreiro do Paço. Hoje, 1 de fevereiro de 1908, D. Carlos e a sua família real, que vinham num landau, pela cidade de Lisboa, foram violentamente atacados. D. Carlos e o seu filho mais velho, D. Luís Filipe, foram brutalmente alvejados e mortos, por dois republicanos. A multidão, que se encontrava no Terreiro do Paço, entrou em pânico.
O próximo monarca a subir ao trono, visto que D. Luís Filipe morreu, deverá ser D. Manuel, o filho mais novo de D. Carlos e da rainha D. Amélia, que conseguiu sobreviver a este horrível atentado, só com um ferimento no braço. Mas, caros ouvintes, conseguirá D. Manuel voltar a compor o país e dar continuidade à monarquia? Lembro que ele não foi devidamente preparado para governar e que, segundo certas os republicanos preparam uma revolução para substituir a Monarquia por uma República. Infelizmente, Portugal está muito endividado para com a Inglaterra, a maior parte das obras públicas foram construídas com empréstimos daquele país. As classes populares estão cada vez mais empobrecidas e, pelo contrário, as classes mais ricas continuam a receber mais lucros. O monarca foi acusado de tirar dinheiro dos cofres do país, de não defender os interesses de Portugal, pois D. Carlos adorava praticar desporto, viajar e esteve muitas vezes ausente.
Por isso, meus caros ouvintes, é muito provável, que, no nosso país, a monarquia seja, em breve, substituída por uma República.
Por hoje é tudo, o resto de uma boa tarde!

Joana Pimentel, 6º B

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011